Em um
desses momentos, um dos médicos olhou para mim com um ponto de interrogação nos
olhos. Olhou novamente para ela e perguntou: Está doendo o que? A pessoa não
sabia responder, e naquele momento eu fiz uma leitura e disse ao médico: Está
doendo a alma.
Ele olhou
novamente para mim, levantou as sobrancelhas, emitiu uma expressão de espanto, calou-se,
virou-se e saiu.
Naquele
momento, eu não tinha consciência exata do que estava falando, mas com o passar
do tempo, cada vez mais fui tendo clareza que sim, a alma dói. E arrisco dizer
que é uma das maiores dores, pois não há analgésico ou qualquer outra medicação
capaz de tirar essa dor.
E quando a
alma dói?
Quando não
conseguimos lidar com algumas situações. Quando não conseguimos lidar com a
tristeza, quando não conseguimos lidar com a rejeição, quando não conseguimos
lidar com os nãos da vida, quando não conseguimos lidar com relacionamentos e
até mesmo quando não conseguimos lidar conosco mesmo. Paulo disse: Não faço o que prefiro, mas o que detesto eu faço.
Muitos
atribuem as dores da alma a falta de fé, falta de confiança. Que bom se assim
fosse. Tantas coisas seriam resolvidas. Tantas pessoas seriam curadas.
Entretanto quando olhamos a Palavra de Deus, vemos homens valentes, cheios de
fé que enfrentaram duramente essa enfermidade. Jonas e Elias pediram para si a
morte. Não aguentavam mais... Não havia mais razões para viver. Davi nos Salmos
42 e 43 repete uma frase bastante significativa: “Por que estás abatida, ó
minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o
louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”.
O alívio
vem dEle, somente dEle. Por mais difícil que seja, escolha esperar no Senhor, pois ainda O louvará.