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domingo, 13 de janeiro de 2013

A importância do ministério pastoral em tempos atuais

Escrever sobre a importância do Ministério Pastoral nos tempos atuais, nos leva a refletir em como é vista a figura do pastor/a, em nossa sociedade hoje, e mesmo quais as expectativas que a comunidade de fé têm em relação ao pastor/a. Ao discorrer sobre esse tema precisamos em primeiro lugar analisar a figura do pastor/a em nossa sociedade, percebendo a pluralidade de Igrejas e ministérios que podemos encontrar, com muitas especificidades. São históricos tradicionais, pentecostais e neo-pentecostais, mais ou menos avivados, os que dão mais ou menos ênfase nesta ou naquela doutrina, são mais ou são menos “prósperos”, etc. Diante dessa pluralidade e especificidades, encontramos também muitas divisões, bem como muitos escândalos em torno de igrejas evangélicas protestantes, envolvendo nomes importantes no cenário nacional, fazendo com que a figura do pastor/a muitas vezes seja vista pelo óculos da desconfiança, pilhéria e até mesmo do desprezo. Um dos desafios para o ministério do pastor/a é resgatar essa confiança e esse respeito no meio onde estiver inserido, desenvolvendo um trabalho pautado no Evangelho de Jesus Cristo, servindo a Deus, no serviço ao próximo. Nesse sentido, vale lembrarmos o que escreve o Bispo Josué, que “para exercer qualquer um dos ministérios da Igreja a pessoa precisa experimentar em sua vida esta dinâmica do seguimento, pois Deus vocaciona discípulos e discípulas comprometidos com o Reino de Deus” . O pastor/a, não pode perder de vista o seu paradigma de pastoreio, para não cair na tentação da lógica do mundo em detrimento da lógica do reino. O comprometimento com o Reino de Deus, é pilar para o desenvolvimento do ministério pastoral.

Porém, assim como passamos o olhar pela figura do pastor/a, não podemos também deixar de contemplar a nossa sociedade como um todo. Nossa cultura, a política, a economia, a saúde, a ecologia e tudo o que diga respeito à vida. É preciso compreender as transformações ocorridas no Brasil e no mundo, principalmente a partir da revolução industrial. É necessário ter ciência da realidade que nos cerca, da globalização, das estatísticas assustadoras que apontam altos índices de violência, de abandono de crianças, de mortalidade infantil em algumas regiões, o analfabetismo que exclui aliado a má distribuição da renda que gera a miséria de muitos em contraste com a riqueza de poucos, e tantas outras mazelas sociais.

Ao olharmos para a realidade que nos cerca e que alguns poderiam chamar de caos social, indagamos sobre qual o papel do ministério pastoral, qual o papel do cristão, ou qual o papel da igreja? Somos então despertados por Jorge S. Dias quando este versa sobre a urbanização e afirma que “considerando que a cidade é este emaranhado complexo, é necessário que a Igreja procure aproximar-se dela visando encontrar ali o mistério da vida de seres humanos, com suas esperanças e desilusões e oferecer-lhes uma mensagem do Evangelho capaz de responder os seus anseios” . O ministério pastoral, no meio de tanta desilusão, tantos conflitos e mesmo tragédias, encontra a vida humana. Carente de pão e água, mas também sedenta por esperança, por compreensão, por cuidado, por alguém que se importe... sedenta de amor. Sedenta pela mensagem do Evangelho de Jesus Cristo, de forma real e concreta nas suas vidas.

A importância do ministério pastoral está em ir ao encontro daqueles e daquelas que necessi-tam, mas além de ir ao encontro está também em proporcionar e incentivar que a comunidade de fé também o faça. Está em exercer sua vocação e identidade pastoral como cuidadores/as, mas também em, como afirma Blanches de Paula, citando Josgrilberg, “recuperar a visão de Lutero e relativizar a visão calvinista do pastor. Somos todos pastores, sacerdotes uns dos outros. E a Igreja deve desenvolver, como um todo, ‘pastorais’ nas quais ela se apresenta como comunidade pastora no mundo” . O ministério pastoral não pode estar centralizado apenas na figura do pastor/a, mas no coletivo, na comunidade. Nesse sentido, todos são responsáveis pela edificação da Igreja, embora saibamos que alguns dentre os membros têm responsabilidade de edificar, exortar e animar . É fundamental a conscientização da responsabilidade de todos para com todos. Nós somos responsáveis pelo mundo em que vive-mos, pelos representantes que elegemos, pela destruição do meio ambiente, pela escassez dos recursos naturais, se não individualmente ou de forma imediata, mas na coletividade somos responsáveis direta ou indiretamente.

Os tempos atuais anseiam que o ministério pastoral, conhecedor do contexto no qual está inse-rido, busque ações junto à comunidade, e me refiro a comunidade toda, não somente a de fé, objetivando colocar em prática os ensinos básicos metodistas contidos também no Plano para Vida e Missão da Igreja, que indica a prática de uma pastoral inclusiva que tem como preocupação a integralidade do ser. Na perspectiva de que a paróquia vai além dos muros eclesiásticos, o ministério pastoral nos tempos atuais necessita ainda resgatar a sua função profética, como afirma Antonio O. de Sant’Ana, “...contra o racismo, a discriminação, contra o preconceito e a intolerância, a violência com as suas múltiplas caras ou na constante luta que travamos contra aqueles que costumeiramente negam os direitos humanos. O ministério pastoral, específico ou não, em tudo, e em todo o tempo, comunica o amor de Deus, demons-trando que um novo mundo é possível” . A importância do ministério pastoral está em não se calar frente às injustiças, mas viver a ortopraxia do discurso evangélico.

Podemos perceber a importância do ministério pastoral nas mais diversas áreas da nossa sociedade, que urgem por cuidados, por amparo, por uma voz que se levante em clamor por uma sociedade mais justa e que profetize contra a opressão sobre os mais fracos, enfim por aqueles e aquelas que se sintam vocacionados/as a ser instrumentos de Deus na proclamação do Seu reino. Ainda, procurando alguma forma de sintetizar algo complexo, a importância do ministério pastoral, citando Sathler, está no cuidado que “implica em relacionamentos baseados em fidelidade e motivação para servir de elo que facilite o livre caminhar de pessoas, famílias, grupos e comunidades pelo deserto do abandono a si mesmos, pelas ameaças à vida, com determinação, esperança e cercados de amizade” , promovendo a vida abundante, anunciada por Jesus no evangelho de João.


Por fim, a importância do ministério pastoral está em não ser necessário naquilo que Eugene Peterson afirma que os pastores são desnecessários: “naquilo que a cultura diz que é necessário, naquilo que se julgam indispensáveis e naquilo que as congregações insistem em descrever”. Não precisamos ser apenas um profissional simpático, entrando em competição na busca de poder e de prestígio, mas sim compreender que somos desnecessários e então livres para fazer o que realmente é importante.



Pra. Izabel Cristina P. Nixdorf

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